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O gosto pelo comer

Gosto muito de comer e não me venham cá com tretas que é o trabalho que dá saúde. A saúde está no prato, no copo e numa saborosa soneca depois do pequeno-almoço, do almoço ou do jantar. O comer dá força, vitalidade e prazer. O trabalho faz cálos, faz doer as costas e causa uma grande fadiga. No prato nada disso me acontece. O mais que me pode acontecer quando como em excesso é sentir o ranger das maxilas. Mas se começar por comer uma sopa antes ou depois do prato principal, nada me incomoda. nem invejo o que fizer o contrário. Para mim tanto se me dá como se me dê. O que quero é sopa, seja a do pobre ou a do rico. O meu gosto pela sopa, foi porque fui habituado a isso. Sim. A sopa da boa, com feijão, com massa ou arroz, com couve, cenoura e nabo, mas também com batatas trituradas ou por triturar e depois de fervida  com um fio de azeite, passado à fervura. Mas se na sopa constar umas rodelas de chouriço, um bocadinho de toucinho para dar melhor sabor, também não enjoo. Gosto de sopa e de muita sopa, porque me aquece a alma. Venha ela de peixe, de carne, de espinafres, se o o caldo é verde ou é à alentejana, algarvia ou transmontana se é da juliana,confesso, que até a sopa magra da cantina da segurança social, vai.  Mas também gostava de experimentar outras sopas, valha me lá saber quando, ou da disponibilidade de PPC me devolver o subsídio de férias e de Natal, para saborear as sopas de lagosta, tamboril, bordaleza ou quem sabe uma sopa de sabor a maracujá com rabo de boi.  Mas venha de lá agora uma sopa creme de tomate embrulhada em cenoura, com agrião e grão, para me abrir o apetite para o jantar. Desde que seja sopa eu como, mas depois venha de lá o sobressalente.

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