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Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2012

Com ^três sentidos apenas...

Os meus olhos vêem O que as minhas mãos folheiam E os meus lábios meditam. Soletram sentidos, afagam letras, acarinham ideias Secam-se os lábios E cortam-se os dedos no folherar. Os olhos, quando lêem , trespassam volúpias, Modelam desejos. Os olhos São como as mãos E como os lábios Que decifram Os nossos pensamentos imaginados...

Quinta da Tapada

Foi nesta quinta Que eu crescera na companhia dos meus pais, Dos irmãos, dos primos dos tios e dos vizinhos E correndo em despique com os arcos e de pé descalço Por entre os ramos de giestas, das folhas dos carvalhos e dos eucalípto, da caruma dos pinheiros , Saltando entre as picadas do tojo e as pedras abandonadas nos caminhos Acompanhados pelo maravilhoso cheiro do ar puro e ao som do chilreio dos passarinhos, Dos pombos bravos e das rolas A melhor diversão Enquanto os mais velhos à hora da sesta, degolavam uma bela soneca. Para os mais crescidinhos o espaço da bricadeira era outro Pois tinham que tratar das lides caseiras e do amanhar da terra Ou ter de tratar da alimentação dos animais, que descansavam nas cortes Nada mais fazendo se não o de comer e do dormir. Mas no mês de Maio a labuta agrícola era mais dura Para se poderem fazer as melhores colheitas no Outon...

Uma missão de risco

O serviço militar em Portugal foi sempre considerado um dever ao serviço da Pátria. No entanto, foi a partir da década de sessenta que aos jovens portugueses se exigiu uma missão mais rigorosa, por causa do rebentamento da guerra em África. Grandes contingentes militares e em força na maioria com poucas formações militares, embarcavam para as frentes de batalha, como quem diz, como carne para canhão. No alistamento a situação física ou psicológica de cada mancebo, ou a posição de sustentabilidade familiar, pouco interessava. O que o país precisava era de mancebos alistados nas forças armadas, fosse no ramo da armada, no exército ou na força aérea era um ato patriótico, daí se dizer que quem não fosse para a tropa ou mesmo não embarcado para o teatro das operações era um inapto para a sociedade e para o resto da vida. Durante anos e após o jovem português ter completado dezoito anos de idade, o seu alistamento era efetuado obrigatoriamente e através de edital bem afixado à port...

O ladrão da bicicleta

Ontem dia 20 de junho de 2012, calmamente na mesa de jantar com a minha esposa, sensivelmente às 20, 30 horas e ao som de uma chuva que molhava as folhas dos feijões e das batatas, saboreava uma bela perna de perú, quando um sem vergonha entra na minha habitação e apodera-se da bicicleta que estáva estacionada a descansar.Ainda tentei barrar-lhe a saída porque a minha esposa sentiu uma sombra em movimento, mas o sacana já se tinha posto a milhas. Mas o mais caricato deste ladrão é que nem com um automóvel estacionado e com o condutor ao volante à porta se importunou  a entrar em local alheio.

Uma data feliz

No dia 28 de setembro de 1983 Na barriga da mãe que o gerava Um pequeno ser que ao mundo estava para vir Pontapeava, mexia-se e voltava-se de cabeça para baixo, fazendo o pino. Incomodada por tal situação E por precaução a mãe a trouxa arrumou E rumámos em direção à clínica que o iria acolher, Fosse para esse dia ou noutro que ele achasse por conveniência. Já na Av. António Augusto Aguiar, Na clínica aguardámos a chegada do médico assistente. Consultada a parturiente, o médico alertou pela demora Talvez daqui a quatro a cinco dias o nascimento se efetivasse Mas pelo sim e pelo não o melhor era arranjar quarto clínico e hospedar-se. Já tarde longa, quase noitinha As águas se rebentam e eu toco a campainha em estado de alerta Mas ninguém me quis ouvir É que o sistema estava avariado. Corro em busca de auxílio e então lá aparece uma funcionária a dar o alerta Para que o pessoal de serviço se preparasse para mais este nascimento. Foi dado de seguida o...

Usos e costumes barrosões

De madrugada se levantam os pastores E a primeira lide que executam Consiste na do encaminhamento dos animais para os prados. Estes por sua vez que se arranstam uns atrás dos outros Transportam um chocalho pendurado no pescoço Para prevenção e aviso prévio do local. Pelo caminho ou dentro dos prados Os animais usam o enorme rabo para sacudir as moscas Que por vezes até tocando na cara do pastor, Que sem dó e piedade se descarta com um normal palavrão. Já dentro dos prados os animais se espalham na procura da melhor messe E onde uns são abandonados no pastoreio E outros ficam vigiados pelo seu dono Sempre em companhia de um ou mais fiel amigo, o cão. Depois e de estômago cheio, O animal recolhe ao curral. No Verão as manhãs são amenas E por vezes com uma aragem fresca de ar puro a correr, A convidar qualquer visitante a uma caminhada pela montanha. As tardes...

Encanto e beleza da mãe natureza

A população a cada dia que passa Está cada vez mais reduzida e mais envelhecida. As aldeias estão cada vez mais desertificadas Mas é no Norte de Portugal que esta situação mais se nutre. São as aldeias que escondidas numa imensidão montanhosa que convidam os jovens a fugir da agricultura E refugiando se na cidade ou na emigração Procurando a sua sustentabilidade e sobrevivência. São destas aldeias que entaladas nas íngremes montanhas Que de cheiros e ruídos próprios Nos propagam a beleza natural E de uma verdura encantadora, dos prados, das árvores Das nascentes e das fontes Dos fontanários e dos ribeiros, onde a água corre, suavemente.

Cidade e as serras do Norte de Portugal

Do alto da serra do Leiranco vejo Uma imagem maravilhosa. Vejo também o verde e o amarelo das serras do Leiranco De braço dado com a do Larouco. Quando do olhar prostrado para nascente Vislumbro ao fundo Sapiãos encostado à serra do Leiranco E o rio Terva a alongar-se para a linda vila de Boticas. Mas lá para o alto E no meio dos pinheiros, se encontra a igreja do Senhor da Serra. Mais distante Entre o verde e o amarelado da terra queimada, A 103 se alonga nas suas curvaturas Por entre pinheiros e prados Até chegar às aldeias e à linda cidade de Chaves. Mais para poente e nos horizontes da serra do Larouco Que estende por terras de Espanha Vejo a centenária e linda aldeia de Cervos Com as suas casas centenárias e as a água a correr nos tanques Espalhados pela freguesia Que também servem de bebedouros aos animais, E mais no centro a linda Igreja Matriz. Seguem-se as aldeias de Sarraquinhos e Arcos que de mãos dadas Se entre-...

A alma da terra

A serra barrosã numa mistura das serras de Leiranco e do Larouco São o suporte de união das vilas de Boticas e de Montalegre, Situada no extremo Norte de Portugal Delimitando as fronteiras portuguesa e espanhola. Aqui e muito isoladas da Capital Encontramos aldeias quase desertas Com poucos habitantes e muito deles Já de idade avançada. As Serra são líndissima E  os nossos olhos vislumbram aqui e além mais aldeias entre as montanhas Com o seu verde característico dos prados e das folhas das árvores, remexendo Das aldeias-mães de Cervos, de Serraquinhos e de Arcos... Com as suas casas de granito centenárias,muitas degradadas Onde se sente no Inverno o assobiar do vento e  o som das água a correr nas ribeiras, Onde os moinhos se perdem por entre a vegestação Com todo o encanto e beleza, Mas no Verão Propagada toda esta beleza no negro acinzentado e triste da terra ar...

Ribeira de Lordelo

A ribeira de Lordelo Passa pro baixo da ponte, Por causa das raparigas Muita solinha se rompe. Ai ai ai ai ai...                                         bis Muita solinha se rompe,                          Ó rapaz deixa romper. É que por baixo da ponte, Muita solinha se rompe. Ai ai ai ai ai...                                          bis O sapateiro é pobre,            ...

Pontapé na redondinha

Ainda não é o pontapé de saída nem foi da melhor maneira o pontapé de entrada no Europeu de futebol de 2012 da seleção portuguesa. É que antes das verdadeiras competições se realizam jogos para o apuramento de detalhes. Por vezes até achamos que tais detalhes não são ajustáveis, tal e qual a forma de colocação das pedra no leito desportivo. Àqueles  que se sentam na bancada e que pagam a tarjeta para ver os eventos desportivos, querem sentir o pulsar dos atletas, que por vezes não recompensam. Foi assim e como eu milhares de adeptos sentiram aos jogos de preparação da secleção dita que é nossa - a portuguesa. Mas todos esperamos que o Europeu que vai arrancar em 6 de junho, contrariam as espetativas e que os atletas portugueses que entram em campo no dia 9 demonstrem a sua garra. Viva Portugal.

África amiga

Mesmo antes de aterrar em Luanda e lá do alto das espelhadas asas do avião,  já denotava que o pó a pisar era diferente daquele a que estava habituado. Embora a minha missão fosse a de militar das forças armadas, em missão de serviço, não fazia a mínima ideia do perigo a que iria ficar sujeito a partir do momento que pisava Luanda. Foi na madrugada do mês de setembro de 1974, que aconteceu. Mas e embora não consciente do perigo que nos esperava, eu e mais três camaradas rumámos apeados desde o aeroporto de Luanda até à unidade militar para que fomos destacados e que ficava a escassos metros, entre bairros luxuosos e os musseques e também porque não tínhamos à nossa espera qualquer viatura militar. Mas ainda não tínhamos passado a porta de armas do ATA, já tínhamos engolido em seco as palavras amargas de um cidadão residente em bairro de luxo de moradias, de cor caucaseana, possivelmente natural do puto mas a governar a sua vidinha no ter...