Tu, que não tens p´ra contar
Nenhum cêntimo contigo,
Tu que te julgas mendigo,
Desgraçado como um réu,
Pára esta noite, por um momento
Para contar no firmamento,
Todas as estrelas do céu ...
Tu, que caíste na estrada,
A maldizer tua sorte,
Pedindo a Deus pela morte
Por que não podes andar,
Olha a grandeza da terra,
Todo espaço que ela encerra,
E começa a caminha ...
Tu que vives pelas ruas,
Tu que dizes não ter casa,
Que a vida é tábua-rasa,
Que não tens onde morar ...
Nem precisas de arquiteto,
Piso é a terra, céu é o teto,
Tens o mundo como lar !...
Tu, que dizes passar fome,
Por que este mundo é ingrato
E nada põe no teu prato,
Se não miséria e ganâncias,
Estande a mão p´ra apanhar
Tudo o que a terra quer dar
Na maior das abundâncias ...
Tu, que maldizes os outros,
Por que a eles tudo é dado,
Mas a ti, pobre coitado,
Nada sobra, nada vem ...
Antes, porém, de queixar-te,
Usa tudo a mesma arte
E hás de colher tu também ...
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