Quando me conheci, a vida era duríssima. Pais, mães e avós, debatiam-se com a míserável oferta de trabalho, que por uns também míseros tostões, se esmeoçavam do nascer ao pôr-do-Sol, dobrados por debaixo da coluna vertebral a tal espinha humana que vergada o dia todo e à noite se renegava em voltar à posição vertical, para que o sustento fosse garantido. Os patrões, aqueles santos que durante anos mataram a fome a numerosas familias, um dia foram escorraçados e muitos deles até abandonados do berço de ouro que os viu nascer. As terras foram abandonadas e os agricultores abandonaram as suas lides por uns trocos. Os grandes hipermercados, estariam a ser abastecidos por grandes superficies espanholas, francesas ou alemãs. Quanto ao produto português, nem vê-lo. Os grandes campos de cultivo alentejanos ou transmontanos, ficaram ao abandono, carregados de giestas ou mesmo transformados em matagal, porque não valia apena lavrar a terra. Os trabalhadores, muitos deles sem terem dobrado a espinal medula, reformaram-se a custo zero na produtividade. A produção industrial vai-se afundando e o desemprego é ilimitado. As universidades e institutos públicos e privados, crivados de alunos a rodos mas sem ocupação, vomitam canudos a torto e a direito em cursos ou licenciaturas criados apenas para satisfazerem e ocuparem as vagas em aberto dos professores catedráticos sem ocupação, mas a usurparem vencimentos impensáveis com as possibilidades do país. Agora e passados trinta e sete anos da data da dita libertação, encontramos uma juventude desesperada porque não tem emprego, mas em contrapartida, encontramos uns sizudos a ganhar cinco a seis vezes aquilo a que querem oferecer aos recém-licenciados em emprego precário, umas reformas chorudas de milhares de euros dos juízes, coronéis e generais e uns centavos de euros àqueles que labutaram durantes trinta a quarenta anos. E eu que ao fim de quarenta anos não sei se tenho direito algum, para passar uma velhice menos apertada, enquanto, naquela central de S. Bento, continuamos a ver individuos a aposentarem-se com uma dúzia de anos de trabalho ou os camarários que ao fim de três mandatos têm uma reforma completa.
Numa guerra, no mato ou na montanha, devidamente instalado ou encurralado o inimigo dá sinais da sua presença e mais tarde ou mais cedo mata ou morre. Neste caso o IN não se conhece. Apareceu, anda por aí e todos constatamos o prejuízo que dá às populações. Infelizmente ninguém está preparado para esta batalha e os nossos soldados acabam, também eles, indocumentados a pagarem pela falta de informação. Espero que rapidamente este IN seja devastado e atirado às bestas de forma a pagar por tudo o que de mal nos está a fazer.
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