Quando me conheci, a vida era duríssima. Pais, mães e avós, debatiam-se com a míserável oferta de trabalho, que por uns também míseros tostões, se esmeoçavam do nascer ao pôr-do-Sol, dobrados por debaixo da coluna vertebral a tal espinha humana que vergada o dia todo e à noite se renegava em voltar à posição vertical, para que o sustento fosse garantido. Os patrões, aqueles santos que durante anos mataram a fome a numerosas familias, um dia foram escorraçados e muitos deles até abandonados do berço de ouro que os viu nascer. As terras foram abandonadas e os agricultores abandonaram as suas lides por uns trocos. Os grandes hipermercados, estariam a ser abastecidos por grandes superficies espanholas, francesas ou alemãs. Quanto ao produto português, nem vê-lo. Os grandes campos de cultivo alentejanos ou transmontanos, ficaram ao abandono, carregados de giestas ou mesmo transformados em matagal, porque não valia apena lavrar a terra. Os trabalhadores, muitos deles sem terem dobrado a espinal medula, reformaram-se a custo zero na produtividade. A produção industrial vai-se afundando e o desemprego é ilimitado. As universidades e institutos públicos e privados, crivados de alunos a rodos mas sem ocupação, vomitam canudos a torto e a direito em cursos ou licenciaturas criados apenas para satisfazerem e ocuparem as vagas em aberto dos professores catedráticos sem ocupação, mas a usurparem vencimentos impensáveis com as possibilidades do país. Agora e passados trinta e sete anos da data da dita libertação, encontramos uma juventude desesperada porque não tem emprego, mas em contrapartida, encontramos uns sizudos a ganhar cinco a seis vezes aquilo a que querem oferecer aos recém-licenciados em emprego precário, umas reformas chorudas de milhares de euros dos juízes, coronéis e generais e uns centavos de euros àqueles que labutaram durantes trinta a quarenta anos. E eu que ao fim de quarenta anos não sei se tenho direito algum, para passar uma velhice menos apertada, enquanto, naquela central de S. Bento, continuamos a ver individuos a aposentarem-se com uma dúzia de anos de trabalho ou os camarários que ao fim de três mandatos têm uma reforma completa.
Estamos em janeiro de 2020 e a temperatura é propícia para a época.Está fresquinho, fresquinho e resta saber se os agazalho é suficiente para proteger a epiderme já que a derme está mais profunda e de borla.Janeiro geadeiro, diferente de março, marçagão. Até que as orelhas aguente sem ficar escondidas debaixo do gorro.Vamos lá ver se não é obrigatório recorrer à farmácia, pois a noite é propícia a grandes geadas e o dia está fresquinho, fresquinho a convidar a ingerir muitas bebidas quentes, para afastar a fruta da época, muito prpícia a atirar-nos para a cama
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